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Mostrando postagens com o rótulo Linguística

Sobre analfabetismo e preconceito

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Formado a partir da junção de alfa e beta (duas letras gregas), o termo alfabeto remete ao conjunto de letras (ou gráficos) criado para registro da Língua.  No sentido que lhe é dado pela linguística moderna, código de comunicação verbal humana, a Língua é antes um fenômeno oral. Sonora. Natural. A escrita vem bem depois. E como toda invenção, a escrita que veio bem depois, foi um marco na história humana. Tanto que é confundida até hoje (até por quem não devia, diga-se) como a própria Língua. Uma tecnologia útil e avançada, é verdade, para a época em que fora criada. Mas não é a Língua propriamente dita. É coisa criada. E como coisa criada, se ensina e se apreende é na escola. Antecedida da partícula-prefixal a(n) , tem-se analfabeto,  palavra que parece ter sido formada dentro do nosso vernáculo mesmo. Talvez por isso tenha ganho autonomia e extrapolado o sentido para o qual fora criada: de todo aquele que não conhece o conjunto das letras da Língua (gráfi...

Gramática reprovada

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Depois de um bom tempo fora do ambiente escolar, resolvi me arriscar em um processo seletivo de uma escola de ensino técnico. A prova era uma aula teste. Dias antes, conforme prescrito no edital, recebi por e-mail os três temas propostos (classes de palavra, orações subordinadas e revisão gramatical). Um seria escolhido por sorteio. O problema começou já aí. Digo problema porque sou um questionador incorrigível. Mas não é assim que tem de ser? Paulo Freire já dizia: ensinar exige questionamentos. Gosto de questionar e de ser questionado. A vida sem questionamentos não vale a pena. Um professor que ensina certo é aquele que tem no questionamento seu norte pedagógico. É aquele que exerce reflexão sobre sua prática. Isso é de Freire também. Gosto de ser crítico comigo mesmo e com as coisas. Está em mim, que posso fazer. E o problema era o terceiro tema.  Ora, se a gramatica já é um aspecto da Língua, como afirmam os linguistas, oração subordinada e classes de palavra...

Gramática e atuação

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Era um terceiro ano do Ensino Médio. Sala lotada. Iniciei a aula abordando, como previsto, o ensino da Gramática. No dia anterior, tinha sido alvo de críticas ao meu método de abordagem em uma reunião pedagógica da qual havia participado. Me apoiei em Celso Luft, um dos renomados gramáticos brasileiros contemporâneos. Em sua Moderna Gramática Brasileira, ele afirma: - “Enquanto esquema natural da vida humana e código de linguagem verbal específico do ser humano, a Língua existe na cabeça de cada um de nós”. Pode parecer estranho, mas falar de Gramática em sala de aula para jovens alunos sempre foi algo muito arriscado para os professores de português. Realmente não é fácil lidar com a questão. Talvez porque esta tenha sido apresentada sistematicamente a eles, professores e alunos, ao longo dos anos como um conjunto de normas (regras) padrão e único. O conservadorismo pedagógico no ensino de Gramática age como inseto na plantação: destrói toda e qualquer avanço científico...

A ferradura, o casco e os sapatos

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Sabe por que o cavaleiro coloca a ferradura no casco do cavalo? Para preservá-lo diante do duro asfalto ou da estrada de pedra moldada. É o que fazemos também com nossos pés: os protegemos com sapatos ou chinelos para não machucá-los na aspereza asfáltica. Mas do que cavalo gosta mesmo é de sair por aí correndo livremente, sentido a maciez da relva e a textura da terra, a relinchar feliz, ao gosto da liberdade, com todo risco que a natureza lhe reserva. Caso tropece e caia, a naturalidade do tombo não deixará marcas, certamente: todo tropeço é natural. É assim com a língua. Nós, os cavaleiros, temos de protegê-la com uma ferradura: as normas (gramática). Principalmente quando o caminho é de asfalto formal e cheio de marcas que regram o fluxo. Precisamos usar a língua com  cuidado para não ferirmos o casco do cavalo, senão cavalos sem ferraduras seremos para muitos. O não uso da ferradura é sinal de constrangimento, de enverg...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

O MUNDO DE ANNE FRANK