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Duas margens de um rio

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  Sentado à margem do rio, o menino lembrava-se do que ouvira do pai tantas vezes: - Se você quer chegar à outra margem, como eu, comece a construir seu próprio barco. Ao voltar para casa, prometeu a ele mesmo: ia construir seu próprio barco. No dia seguinte, depois de terminadas as tarefas, que ficaram para ele todos os dias – primeiro o curral, as galinhas, depois os porcos - voltou à margem do rio. Arrumou o local, próximo à margem, cortou madeiras e arranjou cordas. No outro dia, deu início a construção. Lá pela terceira semana de trabalho, quando voltava da busca por mais matéria-prima para construir o barco, notou a presença de um estranho, em pé, a admirar a paisagem. Era outro menino, mais ou menos de sua idade, só que um pouco maior e bem vestido. O menino que construía o barco, no entanto, não se sentiu incomodado com aquela presença, apenas achou estranho, e retomou o trabalho. Depois de um tempo, o estranho menino virou-se e perguntou, ao vê-lo mexendo com...

O problema é do rato também

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Falar de/ou sobre educação nos dias de hoje, num tempo em que todo mundo parece saber de tudo, exige cautela, mesmo que você seja um especialista no assunto (o que não é o meu caso, considero-me apenas um professor, e indisciplinado (foi do que me acusaram um dia). Mas, depois que me peguei relendo a fábula  O rato e a ratoeira  de Esopo, pela enésima vez, me senti na quase obrigação de falar sobre o assunto. (Lembra da estoriazinha de um rato que foi se queixar aos outros animais da fazenda que o fazendeiro havia adquirido uma ratoeira, mas que os animais, um porco, um boi e uma galinha, não lhe deram a menor atenção dizendo que ratoeira era um problema só dele, o rato?). Pois é. Fiquei penalizado pelo rato e resolvi dar minha contribuição (ao menos na tentativa de alertar a quem interessar sobre o perigo da ratoeira da educação, fazenda onde somos todos ratos). Bom, como se sabe, educar vem do latim  educare  ou  educere  que quer d...

Quando tudo começou

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Sem ser de costume, um dia vi minha mãe arrumando meu irmão mais velho com roupa de sair. Depois, pegou um caderninho, uma cartilha do ABC, um lápis com borracha e uma régua e botou tudo numa pequena mochila tiracolo que ela mesma fizera. Depois disse com carinho e orgulho, colocando a mochila no ombro dele: - Agora você vai estudar. Eu não sabia o que era estudar. E duvido que meu irmão também soubesse, mesmo sendo mais velho, porque ele não parecia muito entusiasmado com a novidade. Mas foi assim mesmo. E eu corri para ver a partida da porta. Mas ele não andou tanto assim para chegar à escola – Isso mesmo, escola , porque era numa escola que se estudava, era o que a mãe dizia sempre.  Para minha surpresa, a tal escola ficava quase do outro lado da rua, no sítio onde morava a comadre da minha mãe. Surpreso porque minha mãe também sempre dizia que a escola mais perto de casa ficava bem longe. Num bairro de gente rica. A comadre da minha mãe era uma jovem chamada Maria q...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

O MUNDO DE ANNE FRANK