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O pai e o herói

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  Cartoon Studio | Dreamstime.com, em 16/02/2026 Estávamos há umas duas horas viajando de volta para casa. No banco de trás, os filhos discutiam quem, para eles, era o maior herói do cinema. De tempos em tempos, o mais velho perguntava: - Pai, quando vamos dar uma paradinha? - É pai, quando vamos parar? A irmã repetia. - Quando a gasolina estiver acabando, eu dizia. - E falta pouco? perguntava o menino. - É pai, falta pouco? - Tá quase. Na verdade, o tanque ainda estava mais de meio. E, por razões que não convém agora dizer, eu sempre fui avesso a tanque cheio.  Os filhos voltavam a discutir sobre os heróis. Mas, minutos depois, de novo; lembrando o burrinho do Shrek. - A gasolina tá acabando, pai? O menino. - É pai, tá acabando a gasolina?  - Quase. Era a primeira vez que ouvia tanta vontade que a gasolina acabasse – e logo vindo de duas crianças. - E aí, pai, vamos parar agora? Tô com fome. - Vamos, né, pai? Eu também. - Falta pouco. Ai...

Entre a literatura e a pedagogia, O cozinheiro e os ratos é o novo livro de Betto Ferreira

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  Capa do livro O cozinheiro e os ratos (divulgação) “Costumo dizer que a gente não escreve livros. A gente escreve textos e os transforma um dia em livros se for o caso e desejo”. É assim que o autor Betto Ferreira responde quando perguntado como se faz para escrever um livro. E é o que aconteceu mais uma vez com o quarto título do autor na  plataforma Uiclap , O cozinheiro e os ratos e outras fábulas amorais . São14 fábulas, umas escritas já há algum tempo, outras mais recentes, as quais ele decidiu publicar no formato de livro a pedido de amigos leitores. O subtítulo tem uma explicação: uma das características marcantes do gênero na antiguidade, as fábulas de Ferreira não têm a pretensão de serem moralistas. Parafraseando Nietzsche, segundo o autor, a moral não passa de falsa interpretação da vida. “Isso deixo a cargo do leitor”, disse, ao ressaltar que alguns foram escritas como recurso didático-pedagógico.  Ferreira é professor de Língua Portuguesa na educação b...

O cão e a loba

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  Nossos sentimentos, nossas emoções e nossos comportamentos são a parte da Natureza em nós(...). Quem se submete a eles não pode possuir a autonomia ética. Kant.                 Ilustração do autor Betto Ferreira Na falta de machos, uma vez que a imensidão da floresta tornava os lobos mais dispersos, certas lobas estavam se debandando para o lado dos cachorros, já que são um tanto parecidos. Ansiavam desesperadamente por um caçador raçudo ou mesmo um vira-lata que fosse.             Numa tarde infeliz, encontrando um belo Cão, uma Loba atacou: - Olá, cachorrão, te acho o maior gato! Que tal darmos umas voltinhas pela floresta? Surpreso com a cantada da loba, o cachorro gaguejou: - Minha cara loba..., pelas aparências, sei que a   gente tem tudo a ver... Mas não é bem assim..., tenho lá minhas cachorras... e não ia ficar bem se me virem por aí com uma loba......

O voo da tartaruguinha

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A escolha de vida que fazemos tem sempre lugar sobre a base de situações dadas e possibilidades abertas.  Merleau-Ponty     Ilustração do autor Betto Ferreira  E mbora o fizesse, o Gavião não queria que soubessem que era ele o comedor de indefesos filhotes da floresta. Certa vez, sobrevoando os arredores, a   esperta ave de rapina avistou lá embaixo uma jovem tartaruguinha que se arrastava sem destino. Não pensou duas vezes. Ali estava a saída para o seu plano. Precisava continuar fazendo o que sempre fizera   sem levar a culpa de nada. Desceu rapidamente, em voo rasante, e, de surpresa, fez a ingênua e pueril tartaruguinha encolher-se toda em seu casco. Depois de alguns minutos, ainda   se recompondo do susto, e já sentindo as garras do terrível predador torturando seus ossinhos, a jovem tartaruguinha disse, prevendo um terrível fim: - Olha, seu Gavião, se quiser me comer me coma que eu não tenho ninguém   mesmo nesse mundo. -Não tenha medo, minh...

A jacaré dos ovos de diamantes

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   Se há, pois, escravos por natureza, é porque houve escravos contra a natureza. A força fez os primeiros escravos, sua covardia os perpetuou. J.J. Rosseau (in: O contrato Social)     Ilustração do autor Betto Ferreira Era uma vez um homem que encontrou, às margens do rio, um filhote de jacaré e o levou ara casa.             A mulher do homem, ao ver o pequeno animal, logo se engraçou pelo bichinho. Deu-lhe até um nome: Miúda, pois era um jacaré fêmea.             Miúda crescera e tornara-se uma jacaré adulta.             Miúda era uma jacaré fêmea como outra qualquer.             Até que um dia, para surpresa dos donos, miúda botou um ovo de diamante.             Quando viu o feito de Miúda, a m...