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Mostrando postagens com o rótulo professor

Sobre trabalho, dar aulas e resignação

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O professor estava prestes a retomar o assunto sobre texto e discurso, interrompido na aula anterior pelo som da sirene, quando um aluno, do grupo dos mais reiterados, o interrompeu, perguntando: - Professor, o senhor trabalha ou só dá aulas? Raro um professor com mais de dez anos de giz na mão (e pó na cara, pois é assim que é) que já não tenha ouvido isso. Ainda mais dito assim: sem nenhum zelo de quem diz com o dizer, por ser quem diz: um jovem aluno, do segundo ano do Ensino Médio. Apenas como um ingênuo pretexto para infringir na aula. Uma esparrela, portanto, né mesmo? creditou o professor. Mas nem por isso indigna de atenção, ponderou: era preciso relevar o assunto. Precisava somente de uma boa dialética-pedagógica. Tipo assim: o que dizer e como dizer do que foi dito. Por isso, fingiu desatenção: - Não entendi, disse. - Dizem que professor não trabalha, só dá aula. Repetiu o menino, do mesmo jeito. Sem compromisso. Somente um ingênuo e ...

Sobre estímulo e fracasso

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Certa vez, durante uma reunião de trabalho pedagógico, foi lançado o seguinte desafio aos professores da escola: levantar um tema e abordá-lo didático e pedagogicamente a partir da leitura de um filme. Há época já estava em debate o estimulo (mais precisamente a falta deste) como invenção da pedagogia que culpa o professor pelo desinteresse do aluno. Mas como era com filme, uma mão na luva para quem sempre recorreu a este expediente para abordar temas polêmicos em sala nas aulas de leitura. Um dos filmes usados por mim era O clube do Imperador , de Michael Hoffmam . A estória de um professor de História, Willian Hundert, que tenta a todo custo estimular um aluno ao gosto pelos estudos a fim de fazê-lo um Sr Júlio Cesar (referência ao imperador da Roma Antiga), nome do clube, criado por ele, professor, do qual fariam parte os melhores alunos em História Antiga na história do filme (uma espécie de clube de notáveis).  Como não conseguiu mudar o que fora plantado no iníc...

Sobre filme brasileiro e anjos.

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A sala de vídeo já estava preparada. O CD no ponto. Cadeiras alinhadas. Agora só faltavam os alunos. O professor os aguardava ansioso. Certamente, eles também estavam. Era dia de filme. Como nascem os anjos. A história de duas crianças moradoras de uma favela carioca (Branquinha e Japa) que, sem se darem conta do perigo (compreensível, pela idade, mas há quem discorde), se envolvem numa situação pra lá de inesperada – e trágica. Não demorou muito. Os alunos entram na sala correndo. Pareciam entusiasmados. Assim é bom. Embora o professor desconfiasse de outras razões que não a aula (mas estava valendo).  A pipoca nas cadeiras os deixavam mais felizes. Melhor ainda.    Assim o cenário estava pedagogicamente favorável. Como tem de ser. O professor, então, anuncia o filme. Também cheio de entusiasmo. Daí... - Filme brasileiro, eeeeca ! Quase a turma toda. Mas o professor não se surpreendeu. Sabia do risco que era trazer para o espaço escolar o dif...

Educação, ética e liberdade

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Depois da infalível e protocolar chamada de todos os dias, o professor anuncia, com expectativa de professor, o assunto-tema da aula: - Introdução ao Romantismo.  Daí, uma aluna, da turminha das menos intolerantes, ainda bem, diz ter uma questão a fazer. Que bom. Vem coisa boa aí. Antes, porém, a aluna, que parece falar em nome do grupo que a rodeia, o alerta de que a questão não tem nada a ver com a aula. Tudo bem, mesmo assim. Sempre tem. - Não é verdade que roubar é antiético? A questão, como se pode ver, não era uma simples questão. Era quase uma proposição. Proposição , como ensinam os manuais de Lógica, é toda frase ou enunciado que exprime um pensamento (uma ideia), falso ou verdadeiro. Na maioria das vezes, carece de análise mais apurada para se chegar ao seu valor de verdade ou mentira. Os alunos talvez nem soubessem disso ainda (compreensível, já que era um segundo ano do Ensino Médio). Mas, a levar pelas carinhas, a expectativa era de que o professor ...

O problema é do rato também

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Falar de/ou sobre educação nos dias de hoje, num tempo em que todo mundo parece saber de tudo, exige cautela, mesmo que você seja um especialista no assunto (o que não é o meu caso, considero-me apenas um professor, e indisciplinado (foi do que me acusaram um dia). Mas, depois que me peguei relendo a fábula  O rato e a ratoeira  de Esopo, pela enésima vez, me senti na quase obrigação de falar sobre o assunto. (Lembra da estoriazinha de um rato que foi se queixar aos outros animais da fazenda que o fazendeiro havia adquirido uma ratoeira, mas que os animais, um porco, um boi e uma galinha, não lhe deram a menor atenção dizendo que ratoeira era um problema só dele, o rato?). Pois é. Fiquei penalizado pelo rato e resolvi dar minha contribuição (ao menos na tentativa de alertar a quem interessar sobre o perigo da ratoeira da educação, fazenda onde somos todos ratos). Bom, como se sabe, educar vem do latim  educare  ou  educere  que quer d...

Quando tudo começou

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Sem ser de costume, um dia vi minha mãe arrumando meu irmão mais velho com roupa de sair. Depois, pegou um caderninho, uma cartilha do ABC, um lápis com borracha e uma régua e botou tudo numa pequena mochila tiracolo que ela mesma fizera. Depois disse com carinho e orgulho, colocando a mochila no ombro dele: - Agora você vai estudar. Eu não sabia o que era estudar. E duvido que meu irmão também soubesse, mesmo sendo mais velho, porque ele não parecia muito entusiasmado com a novidade. Mas foi assim mesmo. E eu corri para ver a partida da porta. Mas ele não andou tanto assim para chegar à escola – Isso mesmo, escola , porque era numa escola que se estudava, era o que a mãe dizia sempre.  Para minha surpresa, a tal escola ficava quase do outro lado da rua, no sítio onde morava a comadre da minha mãe. Surpreso porque minha mãe também sempre dizia que a escola mais perto de casa ficava bem longe. Num bairro de gente rica. A comadre da minha mãe era uma jovem chamada Maria q...

Professores inúteis e sem amor: fui um deles

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De tanto ouvir falar que educação é prioridade, eu passei um bom tempo da vida quase me convencendo de que era verdade. Mas não é que recentemente volei a ouvir alguns dos velhos chavões que colocam a profissão de professor como algo desnecessário, irrelevante e/ou sacerdotal. E por pessoas que deveriam, pela função que exercem, serem mais cuidadosas a fim de que o que diz não vire norma e/ou pre-conceito. "Os professores são inúteis, só reclamam" , dito por um nobre vereador de uma importante cidade interiorana. "Os professores deveriam ensinar por amor e não por dinheiro" , dito por um governador de Estado. O primeiro afirmou sua verdade através de uma página de relacionamento da internet, usando como argumentos as queixas dos alunos e pais de que os professores não vão à escola e quando vão não dão aula. A verdade do outro foi dito à imprensa mesmo, com todo o poder que o cargo de governador lhe confere, diante das reivindicações dos professores em gre...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

O MUNDO DE ANNE FRANK