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Um drama do demônio

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Quem é professor de literatura sabe (talvez dissimule, mas sabe, sim) como é difícil introduzir os estudos do gênero dramático (teatro) num primeiro ano de Ensino Médio. Mais ainda, se ficarmos só com o que os livros didáticos nos dão. Gil Vicente e suas farsas e autos em português arcaico se torna um drama real (com perdão do trocadilho) para a maioria dos jovens alunos. Insisti por algum tempo, mas não deu. A coisa não fruía. Fui à caça de obras do gênero em linguagem moderna. Eu tinha de fazer algo novo. E o novo eram ao autores modernos. Não me faltaram opções. Entre tantas encontrei também O Santo Inquérito , de Dias Gomes, publicado pela primeira vez em 1966. O texto chega a ser até ingênuo, embora de uma proposta teatral enriquecedora, o que me levou a sugeri-lo entre as leituras para os primeiros anos. A obra certa para o ensinar certo, pensei. Um belo exemplo de drama (atos, rubricas e indicações cênicas singulares), o conflito entre religião, fé e pecado (tema r...

Sobre estímulo e fracasso

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Certa vez, durante uma reunião de trabalho pedagógico, foi lançado o seguinte desafio aos professores da escola: levantar um tema e abordá-lo didático e pedagogicamente a partir da leitura de um filme. Há época já estava em debate o estimulo (mais precisamente a falta deste) como invenção da pedagogia que culpa o professor pelo desinteresse do aluno. Mas como era com filme, uma mão na luva para quem sempre recorreu a este expediente para abordar temas polêmicos em sala nas aulas de leitura. Um dos filmes usados por mim era O clube do Imperador , de Michael Hoffmam . A estória de um professor de História, Willian Hundert, que tenta a todo custo estimular um aluno ao gosto pelos estudos a fim de fazê-lo um Sr Júlio Cesar (referência ao imperador da Roma Antiga), nome do clube, criado por ele, professor, do qual fariam parte os melhores alunos em História Antiga na história do filme (uma espécie de clube de notáveis).  Como não conseguiu mudar o que fora plantado no iníc...

O problema é do rato também

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Falar de/ou sobre educação nos dias de hoje, num tempo em que todo mundo parece saber de tudo, exige cautela, mesmo que você seja um especialista no assunto (o que não é o meu caso, considero-me apenas um professor, e indisciplinado (foi do que me acusaram um dia). Mas, depois que me peguei relendo a fábula  O rato e a ratoeira  de Esopo, pela enésima vez, me senti na quase obrigação de falar sobre o assunto. (Lembra da estoriazinha de um rato que foi se queixar aos outros animais da fazenda que o fazendeiro havia adquirido uma ratoeira, mas que os animais, um porco, um boi e uma galinha, não lhe deram a menor atenção dizendo que ratoeira era um problema só dele, o rato?). Pois é. Fiquei penalizado pelo rato e resolvi dar minha contribuição (ao menos na tentativa de alertar a quem interessar sobre o perigo da ratoeira da educação, fazenda onde somos todos ratos). Bom, como se sabe, educar vem do latim  educare  ou  educere  que quer d...

Gramática e atuação

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Era um terceiro ano do Ensino Médio. Sala lotada. Iniciei a aula abordando, como previsto, o ensino da Gramática. No dia anterior, tinha sido alvo de críticas ao meu método de abordagem em uma reunião pedagógica da qual havia participado. Me apoiei em Celso Luft, um dos renomados gramáticos brasileiros contemporâneos. Em sua Moderna Gramática Brasileira, ele afirma: - “Enquanto esquema natural da vida humana e código de linguagem verbal específico do ser humano, a Língua existe na cabeça de cada um de nós”. Pode parecer estranho, mas falar de Gramática em sala de aula para jovens alunos sempre foi algo muito arriscado para os professores de português. Realmente não é fácil lidar com a questão. Talvez porque esta tenha sido apresentada sistematicamente a eles, professores e alunos, ao longo dos anos como um conjunto de normas (regras) padrão e único. O conservadorismo pedagógico no ensino de Gramática age como inseto na plantação: destrói toda e qualquer avanço científico...

A predisposição como estímulo

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Competência é tudo aquilo que adquirimos, de forma natural ou social. Habilidade são as diversas maneiras com as quais realizamos as nossas competências. Ambas podem ser conquistadas, doadas ou ensinadas. Mas jamais rejeitadas. Às vezes, o sujeito tem pouca competência, mas tem boas habilidades. Outras vezes, ainda que as competências sejam vastas, a ausência de habilidades o torna apagado. Uma receita de bolo é uma das competências de que o boleiro precisa para executar bem a tarefa de fazer um bolo. Outras podem lhe ser também muito úteis para tal realização: os ingredientes, os utensílios e aparelhos e um bom ambiente de trabalho, por exemplo. Ao fazer o bolo, o boleiro pôs em prática suas habilidades a partir das competências adquiridas. As competências podem ser as mesmas, mas a (s) habilidade(s) é que torna(m) o bolo diferente. No entanto, para adquirir competências doadas e/ou ensinadas, nós precisamos de uma competência ainda maior, uma meta competência: a p...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

O MUNDO DE ANNE FRANK