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Mostrando postagens com o rótulo educação escolar

Se a educação é um direito de todos, por que só os professores que se virem?

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Fonte: ncst.org.br              Que a educação escolar é um direito de todo cidadão, em especial das crianças, dos jovens e dos adolescentes, disso ninguém duvida. Agora, se é assim, por que os professores e educadores não fazem parte do pacote desse direito? Por que nós, professores e educadores, não somos igualmente importantes quando se fala em educação escolar, em especial a pública e de qualidade, tão defendida como um direito absoluto e fundamental. Ora, educação escolar não se realiza somente com e pela boa vontade do aluno em aprender (bom se fosse assim, né?). É preciso o professor para que este cumpra a função de agente da interação do aluno com o que a escola tem para ensinar - aquilo que os especialistas têm chamado de competências e habilidades. Se a educação escolar é de fato um direito de todos e é de fato importante para todos, os professores/educadores, responsáveis diretos pelo fazer educacional de todos, deveriam ser igu...

Duas margens de um rio

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  Sentado à margem do rio, o menino lembrava-se do que ouvira do pai tantas vezes: - Se você quer chegar à outra margem, como eu, comece a construir seu próprio barco. Ao voltar para casa, prometeu a ele mesmo: ia construir seu próprio barco. No dia seguinte, depois de terminadas as tarefas, que ficaram para ele todos os dias – primeiro o curral, as galinhas, depois os porcos - voltou à margem do rio. Arrumou o local, próximo à margem, cortou madeiras e arranjou cordas. No outro dia, deu início a construção. Lá pela terceira semana de trabalho, quando voltava da busca por mais matéria-prima para construir o barco, notou a presença de um estranho, em pé, a admirar a paisagem. Era outro menino, mais ou menos de sua idade, só que um pouco maior e bem vestido. O menino que construía o barco, no entanto, não se sentiu incomodado com aquela presença, apenas achou estranho, e retomou o trabalho. Depois de um tempo, o estranho menino virou-se e perguntou, ao vê-lo mexendo com...

Sobre estímulo e fracasso

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Certa vez, durante uma reunião de trabalho pedagógico, foi lançado o seguinte desafio aos professores da escola: levantar um tema e abordá-lo didático e pedagogicamente a partir da leitura de um filme. Há época já estava em debate o estimulo (mais precisamente a falta deste) como invenção da pedagogia que culpa o professor pelo desinteresse do aluno. Mas como era com filme, uma mão na luva para quem sempre recorreu a este expediente para abordar temas polêmicos em sala nas aulas de leitura. Um dos filmes usados por mim era O clube do Imperador , de Michael Hoffmam . A estória de um professor de História, Willian Hundert, que tenta a todo custo estimular um aluno ao gosto pelos estudos a fim de fazê-lo um Sr Júlio Cesar (referência ao imperador da Roma Antiga), nome do clube, criado por ele, professor, do qual fariam parte os melhores alunos em História Antiga na história do filme (uma espécie de clube de notáveis).  Como não conseguiu mudar o que fora plantado no iníc...

Sobre educação, medo e liberdade

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Exceto pelo necessário domínio da matéria que ensinava (Português), e no saber fazer também, nunca me apeguei a ideia de autoridade em sala de aula. Nunca me dei bem com isso. Como professor, nunca coube nada em mim além do querer saber ensinar. Continuo, por exemplo, sendo radicalmente contra a ideia de autoridade que transfere ao professor a competência de pôr ordem na sala. Isso foge totalmente a minha compreensão do que é ser professor. Quem sabe foi por isso que, depois de muito tempo (porque não punha ordem na sala) me acusaram de indisciplina um dia. Convenhamos (ou não): todo professor tem mesmo o direito de ter orgulho de ser professor, e deixar isso bem claro (sem falsa moral nem modéstia, porque senão desparecemos). Mas é preciso não cair na tentação do engodo do poder de autoridade que nos seduz todo o tempo: “Sou eu quem manda aqui, ouviram? ”. Nem por medo, nem por pressão. Saber ser professor eu diria é saber ensinar que, numa relação ensino-aprendiz...

Sobre analfabetismo e preconceito

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Formado a partir da junção de alfa e beta (duas letras gregas), o termo alfabeto remete ao conjunto de letras (ou gráficos) criado para registro da Língua.  No sentido que lhe é dado pela linguística moderna, código de comunicação verbal humana, a Língua é antes um fenômeno oral. Sonora. Natural. A escrita vem bem depois. E como toda invenção, a escrita que veio bem depois, foi um marco na história humana. Tanto que é confundida até hoje (até por quem não devia, diga-se) como a própria Língua. Uma tecnologia útil e avançada, é verdade, para a época em que fora criada. Mas não é a Língua propriamente dita. É coisa criada. E como coisa criada, se ensina e se apreende é na escola. Antecedida da partícula-prefixal a(n) , tem-se analfabeto,  palavra que parece ter sido formada dentro do nosso vernáculo mesmo. Talvez por isso tenha ganho autonomia e extrapolado o sentido para o qual fora criada: de todo aquele que não conhece o conjunto das letras da Língua (gráfi...

Sobre filme brasileiro e anjos.

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A sala de vídeo já estava preparada. O CD no ponto. Cadeiras alinhadas. Agora só faltavam os alunos. O professor os aguardava ansioso. Certamente, eles também estavam. Era dia de filme. Como nascem os anjos. A história de duas crianças moradoras de uma favela carioca (Branquinha e Japa) que, sem se darem conta do perigo (compreensível, pela idade, mas há quem discorde), se envolvem numa situação pra lá de inesperada – e trágica. Não demorou muito. Os alunos entram na sala correndo. Pareciam entusiasmados. Assim é bom. Embora o professor desconfiasse de outras razões que não a aula (mas estava valendo).  A pipoca nas cadeiras os deixavam mais felizes. Melhor ainda.    Assim o cenário estava pedagogicamente favorável. Como tem de ser. O professor, então, anuncia o filme. Também cheio de entusiasmo. Daí... - Filme brasileiro, eeeeca ! Quase a turma toda. Mas o professor não se surpreendeu. Sabia do risco que era trazer para o espaço escolar o dif...

Popularidade, crítica e rejeição

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Como tudo que se torna público e popular ( ao alcance do povo , geralmente através de muita luta), a educação escolar virou alvo de críticas e rejeições. As críticas são de várias espécies e tendências.  Mesmo quem não sabe nada do assunto faz a sua.   Nas redes sociais, então, são uma quase obrigação. Afinal, é preciso estar em dia com a opinião pública. Pais e responsáveis legais, de costume, chegam a se esbaldarem. Agora, incrivelmente, as rejeições vêm de quem mais precisa. Rejeita-se porque isso é está atualizado com a nova ordem. É preciso rejeitar o que se torna público-popular. Em comum, o professor como bode expiatório do sistema. Uns inúteis. Parece até coisa de Rubem Alves. Mas é isso que se diz. As críticas mais ostensivas, no entanto, porque vêm dos que menos precisa, são as que acusam os professores de cooptadores. Seres ideologicamente preparados para manipular os alunos. Todos uns comunistas e marxistas e, por serem assim, devem ser podados ...

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