Postagens

Sem vergonha*

Por Betto Ferreira Há respeito da matéria “hablas espanhol?” (Espaço do sol, dia 8 01 de 2007), que vergonha devemos ter por não sabermos como dizer certos nomes e/ou expressões em outra língua que não a nossa? Já não somos submissos há muitos aspectos da cultura estrangeira? Temos também de nos submetermos à lingüística estrangeira? Vamos ser sempre assim: um povo sempre submisso? A propósito, como professor e lingüista, tenho visto problemas muito mais sérios no uso da língua portuguesa cometido por esse jornal diariamente e nem por isso acho que seus redatores devam se sentir envergonhados. Saber um a língua não é saber apenas como dizer algumas palavras e/ou expressões nessa língua. Mesmo um brasileiro não deve se envergonhar de não saber como dizer certas palavras de sua língua, quanto mais de outra língua qualquer. Por isso, não concordo com este jornal quando sugere que os brasileiros de Florianópolis devam se sentir envergonhados por não saber que concha , em espanhol, ...

CRASE: um fenômeno lingüístico

Por Betto Ferreira Em grego, crase quer dizer fusão de duas coisas, de tal modo que não se consegue distinguir uma da outra.. Por exemplo: quando a Brhama comprou a Antártica houve uma fusão entre as duas empresas. Em algumas línguas, caso do Português, também há alguns casos (ocorrência) de fusão (= crase), geralmente envolvendo: - certos verbos como: IR, COMPARECER, CHEGAR, VISAR (= aspirar), ASSISTIR (= ver, presenciar), SOLICITAR, PREFERIR, etc. - certos adjetivos como: ÚTIL, SENSÍVEL, APTO, etc. - e a preposição A que tais palavras exigem na construção de frases. Por quê? Na sua relação com o seu complemento (indireto) ou advérbio (= idéia de modo , tempo ou lugar ), estes verbos e adjetivos exigem a presença da preposição A . Ou seja: . quem vai, vai A → algum lugar (= advérbio de lugar) . quem solicita, solicita algo A → alguém (= complemento indireto do verbo) . quem é útil, é útil A → algo (= complemento do adjetivo) . quem prefere, prefere algo A → al...

O fracasso do imperador

Por Betto Ferreira Muito se discute hoje os desmandos da educação escolar. Mas, a meu ver, entre outras coisas, para que toda educação e/ou ensinamento surtam o efeito esperado é preciso, antes de tudo, que o outro acredite ou esteja predisposto a acreditar naquilo que temos a ensinar. Caso contrário, a intenção de educar/ensinar cai no abismo da escuridão, junto com toda a nossa ilusão de (in)competência que nos foi conferida pela sociedade. Em O clube do Imperador o professor de História, Willian Hundert, tenta a todo custo estimular um aluno ao gosto pelos estudos a fim de faze-lo um Sr Júlio Cesar*. Como não conseguiu mudar o que fora plantado no início da formação do caráter do aluno e com isso, quem sabe, transformar o seu destino, o professor se sentiu um profissional fracassado. O drama do professor é, na verdade, uma metáfora do drama de todos nós, professores do chamado mundo moderno, que, por pressão da sociedade ou por ilusão da profissão, sente-se na obrigação de i...

Ensino de Português no EM. Para quê?

Por Betto Ferreira De acordo com Celso Luft, em sua Moderna Gramática Brasileira (2002), enquanto esquema natural da vida humana e código de linguagem verbal específico do ser humano, a língua existe na cabeça de cada um. Ou seja, em qualquer lugar do mundo, todo homem faz uso de uma determinada Língua para se comunicar verbalmente, ainda que não saiba como isso se processa dentro de si. No caso de nós brasileiros, essa Língua se chama Língua Portuguesa - que muito bem podia se chamar Língua Brasileira, mas isso já é outra discussão. Entretanto, embora seja algo natural, como quase tudo nas relações humanas, a língua também sofre interferências de vários fatores, não tão naturais assim. Tais interferências – que podem ser de ordem política, cultural, geográfica, etc. – acabam, de alguma maneira, se sobrepondo ao esquema natural da língua e exigindo, até como forma de preserva-la, certas normas para o seu uso. Como todos os falantes/usuários, em especial os jovens alunos, estão ...

Acentuação gráfica, para quê?

Por Betto Ferreira A acentuação gráfica (ou marcação gráfica) cumpre apenas uma finalidade: a de indicar, quando escrita a palavra, o som tônico vocálico de uma de suas sílabas, aquelas que indicam se a palavra é oxitona, paroxitona ou proparoxítona, ou se um monossílabo tônico. Entenda-se por sílaba o conjunto de fonemas (= sinais sonoros) articulado numa só impulsão/articulaçção oral. Fora disso, essa marcação é prescindível, ou seja, pode ser desconsiderada pela ortografia do português. Até por que todo usuário dessa Língua sabe quando deve pronunciar / secretaria/ com o sentido de nome de profissão ou com o sentido de nome de lugar ou de verbo (secretariar). O problema está na escrita. Para mim, apenas em caso de extrema dificuldade em diferenciar num texto escrito o sentido (=significado) da palavra, o que não ocorre com frequência na língua, é que se deveria fazer valer o acento gráfico. A situação a seguir, e ainda como frase isolada, seria um desses exemplo: a) A se...

O MUNDO DE ANNE FRANK