Postagens

A ampliação do direito à delinquência

Imagem
Creio não haver quem seja insensível à dor de quem passou pela terrível experiência de um ato violento. Mas penso que é preciso lucidez quando o assunto é redução da maioridade penal. Não defendo a impunidade à delinquência juvenil, mas é fato que os argumentos que ora se apresentam a favor da punição ao menor infrator são sempre insuficientes, tendenciosos e sensacionalistas, em especial quando ocorrem em momentos de comoção. É necessária análise criteriosa dos diversos pontos que pintam o quadro da criminalidade no nosso país, e principalmente, no nosso Estado. É radicalmente injusto, diante de um fato criminoso que envolva um jovem, querer imputar aos adolescentes a culpa pelas ações de violência. Neste sentido, é preciso reforçar a importância de informações mais substanciais para se evitar o senso comum diante de um tema tão largo em complexidade. É preciso subsidiar a opinião pública de informações consistentes, para que o debate seja efetivamente realizado, envolvendo ...

A predisposição como estímulo

Imagem
Competência é tudo aquilo que adquirimos, de forma natural ou social. Habilidade são as diversas maneiras com as quais realizamos as nossas competências. Ambas podem ser conquistadas, doadas ou ensinadas. Mas jamais rejeitadas. Às vezes, o sujeito tem pouca competência, mas tem boas habilidades. Outras vezes, ainda que as competências sejam vastas, a ausência de habilidades o torna apagado. Uma receita de bolo é uma das competências de que o boleiro precisa para executar bem a tarefa de fazer um bolo. Outras podem lhe ser também muito úteis para tal realização: os ingredientes, os utensílios e aparelhos e um bom ambiente de trabalho, por exemplo. Ao fazer o bolo, o boleiro pôs em prática suas habilidades a partir das competências adquiridas. As competências podem ser as mesmas, mas a (s) habilidade(s) é que torna(m) o bolo diferente. No entanto, para adquirir competências doadas e/ou ensinadas, nós precisamos de uma competência ainda maior, uma meta competência: a p...

Os subterfúgios da maioridade

Imagem
Que as nuvens não são de algodão, todo adolescente sabe.  Já na minha época, na do meu pai, na do meu avô, isso era coisa que se sabia. O que todo adolescente não sabe, independente da época, é do que a nuvem é feita. Para isso, precisa aprender a matéria. E de alguém que o ensine. E ninguém melhor que um professor para ensinar isto: que o processo de formação da nuvem é natural. O processo de formação do homem não é igual ao da nuvem. Sofre interferências do antinatural: a moral. Também chamada de ética, a moral é moldada conforme os interesses da parcela humana que prescreve os ditames sociais: vícios, costumes, modismos, gostos e contragostos. É na escola que se aprende sobre ética e sociedade. Sempre ouvi meus pais e os amigos de meus pais dizendo: “Na minha época era diferente, os jovens eram mais educados”. Certamente, os meus avós diziam a mesma coisa. Mas o tempo é um álibi da não responsabilidade. Para a culpa é   sempre ele quem opera a...

Yes, we speaker english!

Imagem
Uma pesquisa apontou e a imprensa, atenta ao gosto brasileiro pelo fracasso do brasileiro, alardeou com satisfação: como se não bastasse sermos sofríveis em português, somos péssimos também em inglês. Em termos de fluência da língua saxão, conforme a pesquisa, nós ficamos em último entre os cinquenta e poucos países pesquisados. Ufa! Que alívio, pelos menos estamos a frente da maioria dos países do mundo. Do contrário, talvez até já tivéssemos perdido o status de gente. Para a imprensa, no entanto, a pesquisa só confirma o nosso atraso, a nossa pobreza de povo. Povo que não fala a língua universal (status dado ao código linguístico do Tio Sam) é medíocre, em especial, quando este povo vai sediar a próxima Copa do Mundo, as Olimpíadas e luta desesperadamente por uma cadeira permanente no conselho da ONU. Não falar inglês é imperdoável. No dia em que a TV deu a notícia da pesquisa, minha filhinha de cinco anos estava comigo. Sua reação foi surpreendente: “Papai...

A ferradura, o casco e os sapatos

Imagem
Sabe por que o cavaleiro coloca a ferradura no casco do cavalo? Para preservá-lo diante do duro asfalto ou da estrada de pedra moldada. É o que fazemos também com nossos pés: os protegemos com sapatos ou chinelos para não machucá-los na aspereza asfáltica. Mas do que cavalo gosta mesmo é de sair por aí correndo livremente, sentido a maciez da relva e a textura da terra, a relinchar feliz, ao gosto da liberdade, com todo risco que a natureza lhe reserva. Caso tropece e caia, a naturalidade do tombo não deixará marcas, certamente: todo tropeço é natural. É assim com a língua. Nós, os cavaleiros, temos de protegê-la com uma ferradura: as normas (gramática). Principalmente quando o caminho é de asfalto formal e cheio de marcas que regram o fluxo. Precisamos usar a língua com  cuidado para não ferirmos o casco do cavalo, senão cavalos sem ferraduras seremos para muitos. O não uso da ferradura é sinal de constrangimento, de enverg...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

O MUNDO DE ANNE FRANK