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Gramática e atuação

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Era um terceiro ano do Ensino Médio. Sala lotada. Iniciei a aula abordando, como previsto, o ensino da Gramática. No dia anterior, tinha sido alvo de críticas ao meu método de abordagem em uma reunião pedagógica da qual havia participado. Me apoiei em Celso Luft, um dos renomados gramáticos brasileiros contemporâneos. Em sua Moderna Gramática Brasileira, ele afirma: - “Enquanto esquema natural da vida humana e código de linguagem verbal específico do ser humano, a Língua existe na cabeça de cada um de nós”. Pode parecer estranho, mas falar de Gramática em sala de aula para jovens alunos sempre foi algo muito arriscado para os professores de português. Realmente não é fácil lidar com a questão. Talvez porque esta tenha sido apresentada sistematicamente a eles, professores e alunos, ao longo dos anos como um conjunto de normas (regras) padrão e único. O conservadorismo pedagógico no ensino de Gramática age como inseto na plantação: destrói toda e qualquer avanço científico...

Quando tudo começou

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Sem ser de costume, um dia vi minha mãe arrumando meu irmão mais velho com roupa de sair. Depois, pegou um caderninho, uma cartilha do ABC, um lápis com borracha e uma régua e botou tudo numa pequena mochila tiracolo que ela mesma fizera. Depois disse com carinho e orgulho, colocando a mochila no ombro dele: - Agora você vai estudar. Eu não sabia o que era estudar. E duvido que meu irmão também soubesse, mesmo sendo mais velho, porque ele não parecia muito entusiasmado com a novidade. Mas foi assim mesmo. E eu corri para ver a partida da porta. Mas ele não andou tanto assim para chegar à escola – Isso mesmo, escola , porque era numa escola que se estudava, era o que a mãe dizia sempre.  Para minha surpresa, a tal escola ficava quase do outro lado da rua, no sítio onde morava a comadre da minha mãe. Surpreso porque minha mãe também sempre dizia que a escola mais perto de casa ficava bem longe. Num bairro de gente rica. A comadre da minha mãe era uma jovem chamada Maria q...

Contos pessimistas, meu primeiro livro de contos, será lançado em maio

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Capa: livro Contos Pessimistas (Livrus Editora) Depois de muito tempo de espera, após leituras e releituras, enfim realizei o sonho de publicar meu primeiro livro de contos.  Contos pessimistas é uma reunião de doze contos, entre os quais quatro fábulas, escritos ao longo dos últimos vinte anos. Do ponto de vista literário, as estórias caracterizam-se pelo experimento na forma da narrativa que, estrategicamente, permeia por entre a onisciência e a neutralidade dramática do narrador. Do ponto de vista temático, revelam o lado oposto do gosto pelo bem-estar pessoal e social, ao sugerir reflexão para mudança de paradigma do sentimento pessimista.  Por que tendemos a julgar sempre os efeitos e não as motivações (O voo da tartaruguinha)? Por que aceitamos mais facilmente que o poder seja dos abastados (O babuíno que queria ser rei)? Por que só pensamos em agir quando sentimos na pele (O velho petroleiro)? E por que temos dificuldades de lidar com as diferenças, embor...

A indignação do Alemão

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“Mas se ainda há pouco tudo estava bem, por que de repente dizem que estamos em crise?”. Tal questionamento não foi feito por nenhum membro do governo ou da oposição, por nenhum crítico de economia a convite da grande mídia, nem por nenhum especialista em política econômica. Ele foi dito pelo Alemão. Quem é Alemão? Aproximadamente 40 anos, nos dias úteis, Alemão trabalha como representante comercial de uma empresa que vende portas e janelas antirruídos em bairros da classe média-alta. “Ao menos para mim não tem crise; tem vendido muito”, comemora. Nos finais de semana, como faz há anos, ele corta cabelos em seu pequeno salão no Jd. Orion, bairro onde também mora, na periferia da zona sul de São Paulo. “Cliente é o que não falta”, reforçando ainda mais sua descrença na crise. Enquanto esperava a minha vez, fiquei refletindo sobre o questionamento de Alemão, o cabeleireiro: estamos mesmo em crise ou apenas sofrendo os efeitos da ira daqueles que não contavam com o referend...

A ampliação do direito à delinquência

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Creio não haver quem seja insensível à dor de quem passou pela terrível experiência de um ato violento. Mas penso que é preciso lucidez quando o assunto é redução da maioridade penal. Não defendo a impunidade à delinquência juvenil, mas é fato que os argumentos que ora se apresentam a favor da punição ao menor infrator são sempre insuficientes, tendenciosos e sensacionalistas, em especial quando ocorrem em momentos de comoção. É necessária análise criteriosa dos diversos pontos que pintam o quadro da criminalidade no nosso país, e principalmente, no nosso Estado. É radicalmente injusto, diante de um fato criminoso que envolva um jovem, querer imputar aos adolescentes a culpa pelas ações de violência. Neste sentido, é preciso reforçar a importância de informações mais substanciais para se evitar o senso comum diante de um tema tão largo em complexidade. É preciso subsidiar a opinião pública de informações consistentes, para que o debate seja efetivamente realizado, envolvendo ...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

O MUNDO DE ANNE FRANK