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Sobre filme brasileiro e anjos.

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A sala de vídeo já estava preparada. O CD no ponto. Cadeiras alinhadas. Agora só faltavam os alunos. O professor os aguardava ansioso. Certamente, eles também estavam. Era dia de filme. Como nascem os anjos. A história de duas crianças moradoras de uma favela carioca (Branquinha e Japa) que, sem se darem conta do perigo (compreensível, pela idade, mas há quem discorde), se envolvem numa situação pra lá de inesperada – e trágica. Não demorou muito. Os alunos entram na sala correndo. Pareciam entusiasmados. Assim é bom. Embora o professor desconfiasse de outras razões que não a aula (mas estava valendo).  A pipoca nas cadeiras os deixavam mais felizes. Melhor ainda.    Assim o cenário estava pedagogicamente favorável. Como tem de ser. O professor, então, anuncia o filme. Também cheio de entusiasmo. Daí... - Filme brasileiro, eeeeca ! Quase a turma toda. Mas o professor não se surpreendeu. Sabia do risco que era trazer para o espaço escolar o dif...

Educação, ética e liberdade

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Depois da infalível e protocolar chamada de todos os dias, o professor anuncia, com expectativa de professor, o assunto-tema da aula: - Introdução ao Romantismo.  Daí, uma aluna, da turminha das menos intolerantes, ainda bem, diz ter uma questão a fazer. Que bom. Vem coisa boa aí. Antes, porém, a aluna, que parece falar em nome do grupo que a rodeia, o alerta de que a questão não tem nada a ver com a aula. Tudo bem, mesmo assim. Sempre tem. - Não é verdade que roubar é antiético? A questão, como se pode ver, não era uma simples questão. Era quase uma proposição. Proposição , como ensinam os manuais de Lógica, é toda frase ou enunciado que exprime um pensamento (uma ideia), falso ou verdadeiro. Na maioria das vezes, carece de análise mais apurada para se chegar ao seu valor de verdade ou mentira. Os alunos talvez nem soubessem disso ainda (compreensível, já que era um segundo ano do Ensino Médio). Mas, a levar pelas carinhas, a expectativa era de que o professor ...

Popularidade, crítica e rejeição

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Como tudo que se torna público e popular ( ao alcance do povo , geralmente através de muita luta), a educação escolar virou alvo de críticas e rejeições. As críticas são de várias espécies e tendências.  Mesmo quem não sabe nada do assunto faz a sua.   Nas redes sociais, então, são uma quase obrigação. Afinal, é preciso estar em dia com a opinião pública. Pais e responsáveis legais, de costume, chegam a se esbaldarem. Agora, incrivelmente, as rejeições vêm de quem mais precisa. Rejeita-se porque isso é está atualizado com a nova ordem. É preciso rejeitar o que se torna público-popular. Em comum, o professor como bode expiatório do sistema. Uns inúteis. Parece até coisa de Rubem Alves. Mas é isso que se diz. As críticas mais ostensivas, no entanto, porque vêm dos que menos precisa, são as que acusam os professores de cooptadores. Seres ideologicamente preparados para manipular os alunos. Todos uns comunistas e marxistas e, por serem assim, devem ser podados ...

Um carneiro e os outros

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Um jovem carneiro, esperto e corajoso, resolveu ir sozinho matar a sede num riacho que ficava do outro lado da cerca que protegia o rebanho dos lobos famintos. Havia anos, nenhum carneiro tinha ousado se arriscar tanto, desde que ouviram de um velho pai-de-chiqueiro, a estória do cordeirinho que foi devorado por um lobo feroz que o acusou de ter turvado água do riacho. No caminho, avistou uma carcaça de um lobo que, pelas circunstâncias, devia ter morrido de fome, porque carneiros não havia mais dando sopa em toda a redondeza. Percebeu que a pele, na qual ainda se agarrava a cabeça, estava intacta. Por precaução, nunca se sabe, fez desta uma manta e assim chegou ao riacho. Nem bem tomou o primeiro gole, o jovem carneiro ouviu o uivo de um poderoso canídeo que fez estremecer os seus ouvidos. E não estava sozinho. Havia uns dez, todos igualmente ferozes e famintos. Mas o jovem carneiro se fez de inoportuno e pôs-se a beber da água, aparentando tranquilidade.   ...

O problema é do rato também

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Falar de/ou sobre educação nos dias de hoje, num tempo em que todo mundo parece saber de tudo, exige cautela, mesmo que você seja um especialista no assunto (o que não é o meu caso, considero-me apenas um professor, e indisciplinado (foi do que me acusaram um dia). Mas, depois que me peguei relendo a fábula  O rato e a ratoeira  de Esopo, pela enésima vez, me senti na quase obrigação de falar sobre o assunto. (Lembra da estoriazinha de um rato que foi se queixar aos outros animais da fazenda que o fazendeiro havia adquirido uma ratoeira, mas que os animais, um porco, um boi e uma galinha, não lhe deram a menor atenção dizendo que ratoeira era um problema só dele, o rato?). Pois é. Fiquei penalizado pelo rato e resolvi dar minha contribuição (ao menos na tentativa de alertar a quem interessar sobre o perigo da ratoeira da educação, fazenda onde somos todos ratos). Bom, como se sabe, educar vem do latim  educare  ou  educere  que quer d...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

O MUNDO DE ANNE FRANK