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O professor, o gestor e os sapos

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Antes da fala do imediato convidado, que ainda não havia entrado na sala de reunião, em sussurros, os professores da escola para a qual fui designado professor, debatiam a obrigação de ter de participar de uma das inúmeras conferências online exigidas pelo governo (parte também das obrigações de ser professor). O tema da conferência era COMO SER GESTOR EM SALA DE AULA. Ao tomar um dos lugares vazios na sala, logo um dos colegas vira-se e pergunta: - E aí, professor, qual a sua opinião a respeito? Sensação estranha me abateu naquele momento. Será que depois de tanto tempo estava ainda na cara a marca da indisciplina (foi do que me acusaram um dia, por querer fazer o certo: reivindicar direitos, já que os deveres sempre os cumpri e bem). De repente, me lembrei do meu pai, um quase semianalfabeto que me dizia sempre da tese do “gato escaldado” em situações de embaraço. Pois bem, era preciso ser gato escaldado naquele momento. Ainda mais quando se está de regresso, se assujei...

Conto: As descobertas de um menino

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Como toda criança pobre, o menino não tinha brinquedos de fábrica.  Para não deixar de ser criança, como todo menino que se preze, os inventava. Fazer enterro de lagartixas, atirar de baleadeira para o alto e observar formigas carregando miolos de pão para dentro do formigueiro eram alguns de seus passatempos preferidos. Quanto a escola, como ainda nunca tinha ouvido falar disso, não lhe fazia falta. Brincava. Mas um dia, sem ser de costume, ele flagrou a mãe cheia de carinho e orgulho dizendo ao irmão mais velho: - Hoje você vai para a escola, acomodando uma tiracolo que ela mesma fizera no ombro do irmão. “Escola!”, espantou-se o menino. O irmão estava até de banho tomado e vestia uma roupa nova e diferente: calça azul-marinho, camisa branca bem engomada e conga preto com meia também branca. Também não era de costume. “O que seria e para que servia ‘escola’?” Se perguntou. Desconfiou que o irmão também não soubesse, pois ele parecia um pouco incom...

Sobre trabalho, dar aulas e resignação

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O professor estava prestes a retomar o assunto sobre texto e discurso, interrompido na aula anterior pelo som da sirene, quando um aluno, do grupo dos mais reiterados, o interrompeu, perguntando: - Professor, o senhor trabalha ou só dá aulas? Raro um professor com mais de dez anos de giz na mão (e pó na cara, pois é assim que é) que já não tenha ouvido isso. Ainda mais dito assim: sem nenhum zelo de quem diz com o dizer, por ser quem diz: um jovem aluno, do segundo ano do Ensino Médio. Apenas como um ingênuo pretexto para infringir na aula. Uma esparrela, portanto, né mesmo? creditou o professor. Mas nem por isso indigna de atenção, ponderou: era preciso relevar o assunto. Precisava somente de uma boa dialética-pedagógica. Tipo assim: o que dizer e como dizer do que foi dito. Por isso, fingiu desatenção: - Não entendi, disse. - Dizem que professor não trabalha, só dá aula. Repetiu o menino, do mesmo jeito. Sem compromisso. Somente um ingênuo e ...

O cordeirinho, o lobo e a pele

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Certa vez, um jovem cordeiro que havia se distanciado do rebanho, encontrou um também jovem lobo. Tomou um susto danado, claro. Mas para sua surpresa, o lobo não parecia feroz. - Não tenha medo, cordeirinho. Quero ser seu amigo, disse o lobo. O cordeirinho ainda assim receou. Mas ao olhar bem para o lobo, que o fitava com um olhar realmente cordial, confiou. É próprio dos bons acreditar na compunção alheia. O lobo então o convidou: - Que tal darmos umas voltas pela floresta, está uma manhã agradável. O cordeirinho deu uma rápida olhada em volta e verificou que era uma manhã de fato muito agradável.  Aceitou o convite.  Estaria em segurança ao lado de um lobo, ainda que não feroz. Nada a temer. E andaram juntos por muitos horas. Até que se despediram amigavelmente e foram um pra cada lado. Noutro dia, se encontram novamente. Desta vez não por acaso. E o lobo perguntou como ele tinha passado. E o cordeirinho respondeu que havia reencontrado o rebanho...

A cigarra e a luta pelo trabalho

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Cansado de cantarolar em vão, pois já não era ouvido fazia tempo, uma cigarra macho do tipo carineta decidiu: - Preciso fazer algo para me garantir quando o inverno chegar. Não queria passar pelo vexame de mendigar como aquela mal falada cigarra dos tempos de outrora que não tendo o que comer fora se humilhar à formiga por um nicho que fosse. Mas o que fazer se só sabia cantar? Pensou um bocado ante de emergir das trevas. Viu um bando de formigas trabalhadoras (isso é só uma coincidência) suprindo o formigueiro e se dispôs a ajudar em troca de algum quinhão. Mas ouviu que havia excesso de contingente no cordão e que fosse procurar outro algo para fazer. - Posso cantar para vocês enquanto trabalham? Perguntou, já levando os dedinhos às cordas do velho banjo de quatro cordas, herança do seu tataravô. - Não insista, camarada, e veja se não nos atrapalha, o inverno tá logo ali. Tirou de letra. Não havia mal que já não tivesse espantado na vida desde que passara pela to...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

O MUNDO DE ANNE FRANK