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Novo livro do prof. Betto Ferreira aborda educação por meio de crônicas

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Publicação independente com o selo da editora Uiclap, o livro Pedagogia da Indisciplina: crônicas de sala de aula reúne uma antologia de crônicas “supostamente pedagógicas”, conforme o próprio autor, o professor Betto Ferreira.  A intenção não é ditar um manual de pedagogia (“longe disso”, diz), igual a muitos que existem à disposição do leitor, mas registrar certos fatos e ocorrências vivenciados dentro da sala de aula e no entorno dela, sem ser enfadonho no jeito de dizer. Modéstia do autor à parte, as crônicas aqui reunidas não só não são enfadonhas como são literariamente ricas, tanto no estilo quanto no abordagem despretensiosa do assunto. E por mais que não seja esta a intenção,  de forma simples e corajosa,  dizem muito do ambiente escolar que temos no nosso país. Além disso, a obra é particularmente interessante por trazer a visão do professor (a), quase nunca ouvido (em especial nos dias de hoje) e cujo valor social merece ser resgatado. "Não deixa de ser tam...

A águia, as codornas e a aparência

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Também conhecidas como codornas, as codornizes são aves muito dóceis, porém precavidas. Uma de suas maiores precauções, dizem, é com a segurança. Por isso, nunca voam sozinhas. Isso mesmo: exceto aquelas que vivem em cativeiro,  embora não pareça,  as codornas voam e voam muito bem. Mas não é do voo das codornas que esta fábula versará, e sim de como buscam se proteger dos predadores. Certa vez, um casal de codornas, do tipo amarela, teve três lindas codorninhas. Uma delas nem sequer falava de tão pequena. A mãe codorna logo se deu conta de que precisava arranjar comida para alimentar os filhotes. Precavida, foi comunicar a necessidade as saltitantes avezinhas: - Papai e mamãe vão buscar comida. Não tentem voar! - Sim, mamãe. A codorna pai também, também precavido, se aproximou das pequenas aves e disse: - Ah, tenham cuidado com certos bichos estranhos! Em especial aqueles que costumam parecer fofinhos só para nos enganar. As aparências enganam Também já se...

Duas margens de um rio

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  Sentado à margem do rio, o menino lembrava-se do que ouvira do pai tantas vezes: - Se você quer chegar à outra margem, como eu, comece a construir seu próprio barco. Ao voltar para casa, prometeu a ele mesmo: ia construir seu próprio barco. No dia seguinte, depois de terminadas as tarefas, que ficaram para ele todos os dias – primeiro o curral, as galinhas, depois os porcos - voltou à margem do rio. Arrumou o local, próximo à margem, cortou madeiras e arranjou cordas. No outro dia, deu início a construção. Lá pela terceira semana de trabalho, quando voltava da busca por mais matéria-prima para construir o barco, notou a presença de um estranho, em pé, a admirar a paisagem. Era outro menino, mais ou menos de sua idade, só que um pouco maior e bem vestido. O menino que construía o barco, no entanto, não se sentiu incomodado com aquela presença, apenas achou estranho, e retomou o trabalho. Depois de um tempo, o estranho menino virou-se e perguntou, ao vê-lo mexendo com...

O professor, o gestor e os sapos

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Antes da fala do imediato convidado, que ainda não havia entrado na sala de reunião, em sussurros, os professores da escola para a qual fui designado professor, debatiam a obrigação de ter de participar de uma das inúmeras conferências online exigidas pelo governo (parte também das obrigações de ser professor). O tema da conferência era COMO SER GESTOR EM SALA DE AULA. Ao tomar um dos lugares vazios na sala, logo um dos colegas vira-se e pergunta: - E aí, professor, qual a sua opinião a respeito? Sensação estranha me abateu naquele momento. Será que depois de tanto tempo estava ainda na cara a marca da indisciplina (foi do que me acusaram um dia, por querer fazer o certo: reivindicar direitos, já que os deveres sempre os cumpri e bem). De repente, me lembrei do meu pai, um quase semianalfabeto que me dizia sempre da tese do “gato escaldado” em situações de embaraço. Pois bem, era preciso ser gato escaldado naquele momento. Ainda mais quando se está de regresso, se assujei...

Conto: As descobertas de um menino

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Como toda criança pobre, o menino não tinha brinquedos de fábrica.  Para não deixar de ser criança, como todo menino que se preze, os inventava. Fazer enterro de lagartixas, atirar de baleadeira para o alto e observar formigas carregando miolos de pão para dentro do formigueiro eram alguns de seus passatempos preferidos. Quanto a escola, como ainda nunca tinha ouvido falar disso, não lhe fazia falta. Brincava. Mas um dia, sem ser de costume, ele flagrou a mãe cheia de carinho e orgulho dizendo ao irmão mais velho: - Hoje você vai para a escola, acomodando uma tiracolo que ela mesma fizera no ombro do irmão. “Escola!”, espantou-se o menino. O irmão estava até de banho tomado e vestia uma roupa nova e diferente: calça azul-marinho, camisa branca bem engomada e conga preto com meia também branca. Também não era de costume. “O que seria e para que servia ‘escola’?” Se perguntou. Desconfiou que o irmão também não soubesse, pois ele parecia um pouco incom...

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

O MUNDO DE ANNE FRANK